Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Morbi eu nulla vehicula, sagittis tortor id, fermentum nunc. Donec gravida mi a condimentum rutrum. Praesent aliquet pellentesque nisi.
Image thumbnail

O Convento

O CONVENTO

A Herdade de Mujadarem é uma propriedade de 31 hectares, integrada desde 1261 no domínio territorial do Alvito, hoje Vila do Alvito, Beja, Alentejo. O nome Mujadarem é inspirado na designação atribuída ao local, desde tempos ainda mais antigos, pela presença de monges beneditinos que ali se instalaram. A Herdade terá sido implementada no chamado sítio de Mongedarem, a cerca de 3 kms do que viria a ser o Alvito. Foi aí que, no tempo dos Codos (Visigodos), um grupo de religiosos terá erguido um mosteiro beneditino – o Mosteyro de Mongedarem. No local deste mosteiro, mais tarde, seria erguido um convento – o Convento dos Mártires de Cristo.
“(…) Porque edificado o dito Mosteyro de Mongedarem, floreceo por muitos anos em tempo dos Codos cõ grande santidade, & numero de Religiosos: & quando os Mouros depois se fizeram de Hespanha, chegando àquella parte (segundo a tradição, que ha) passarão os Mõjes daquele Cõvento ao fio de espada mandandoos para o Ceo coroados com aureolas de Martyres de Christo (…)

A inexistência de vestígios góticos, no entanto, sugere outra corrente histórica para a origem do que ali nasceu, a qual refere que o Convento dos Mártires de Cristo terá sido erguido no local de uma antiga vila romana. Segundo esta tese, diverso material de construção dessa época foi utilizado na construção do mosteiro e de uma igreja. A prova disso mesmo é a existência de um peso de lagar, de configuração circular, existente no exterior.
Documentos referem ainda que na região existiam não um, mas dois conventos. O Convento de Nossa Senhora dos Mártires (fundado pelos religiosos da ordem de São Bento – ordem Beneditina); e, a curta distância, um outro convento onde hoje se encontra a chamada ermida de São Bartolomeu. Seria de resto a existência destes dois conventos a justificação para o nome “Mujadarem”, fundada na expressão: “vamos ver os Monges d’além”.

A cultura da vinha pelos Beneditinos

A cultura da vinha e a produção de vinho foram fortemente implementadas, na generalidade da Europa, pelos Romanos. Mais tarde, foram principalmente as ordens monásticas que herdaram a tradição da viticultura, graças às influências romanas e, também, ao forte simbolismo que o vinho assumia na liturgia cristã. Entre os séculos IX e XV a paisagem da vinha tornou-se muito comum na Europa, marcando a exploração e organização territorial dos locais onde estavam implementadas as ordens religiosas, nomeadamente mosteiros, abadias, conventos, ou mesmo nas propriedades doadas pela nobreza. Uma das ordens monásticas que ao longo da História mais se destacou, precisamente, pela sua ligação e especialização na cultura da vinha, foi precisamente a Ordem de São Bento.

A produção de vinho tinha não apenas um fim litúrgico, mas assumia igualmente uma dimensão comercial, medicinal, ou de subsistência para os próprios monges. A Regra de São Bento, conhecido conjunto de preceitos destinados a regular a vivência monástica, estabeleceu, entre outras leis, a quantidade máxima de vinho que um monge poderia consumir por dia, num sinal claro de que o consumo era generalizado. Em países como França, Alemanha, Áustria, Itália, Suíça, Portugal, Espanha, Grécia e Inglaterra foram identificadas cerca de duas centenas de organizações religiosas ligadas à produção de vinho. Os beneditinos destacavam-se e, fazendo justiça à primeira regra de São Bento – Ora et Labora – evoluíram para uma das ordens mais implementadas em toda a Europa. Em França, na hoje famosíssima Borgonha, estiveram entre os primeiros a identificar e recuperar algumas das melhores áreas para a produção de vinho. Daí, seguiram para países como Alemanha, Espanha, Itália e Portugal. No Alentejo, mais concretamente no Alvito, os mesmos relatos históricos que dão conta da presença de monges beneditinos, naquela que é hoje a Herdade de Mujadarem, descrevem, pelo menos desde 1283, a existência de áreas de cultura de vinha, as então chamadas “vinharias”, junto aos caminhos públicos do Alvito até Mujadarem.